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Foto do escritorSol da Pátria

20 anos sem Patativa do Assaré





Em 8 de julho de 2002, após uma parada cardíaca, aos 93 anos, morria o poeta, repentista, cantor e compositor cearense Patativa do Assaré.


Nascido na Serra de Santana, a 18 km da cidade de Assaré, no sul do Ceará, o poeta, batizado como Antônio Gonçalves da Silva, foi criado numa casa de taipa, perdeu a visão de um dos olhos ainda criança e trabalhou, desde tenra infância até os 70 anos, como agricultor.


Iniciado no mundo e na arte das Musas, cresceu como Patativa, epíteto que ganhou porque sua maestria foi comparada ao canto do pássaro homônimo.


Poeta e camponês, foi praticamente um Hesíodo brasileiro. Pastor em Ascra, Beócia, o poeta grego levou uma existência de escassez numa região depauperada como o Nordeste da juventude de Patativa do Assaré. Assim como as Musas um dia ensinaram a Hesíodo o belo canto quando ele pastoreava ovelhas ao pé do Hélicon Divino, iniciaram o camponês Antônio Gonçalves da Silva enquanto o sertanejo exercia sua lida na roça e no eito.


O Sertão inóspito e encantado, sua luxuriante paisagem de inverno e, sobretudo, o canto dos pássaros, lhe permitiram conhecer a presença divina:


"Já eu sou bem deferente. A coisa mió que eu acho É num dia munto quente Eu i me sentádebaxo De um copado juazêro, Práescutáprazentêro Os passarinho cantá, Pois aquela poesia Tem a mesma melodia Dos anjo celestiá."

"A triste partida", uma das suas obras mais conhecidas, foi tocada e cantada por Luiz Gonzaga:

"A letra e a melodia de 'A triste partida' são minhas, mas nada se compara à gravação do rei do baião. A toada ficou muito mais penosa quando ele colocou aqueles refrães [...]."

Agora, junto às Musas e aos anjos, leva os aedos da nossa época a cantarem as lutas e as glórias do povo brasileiro.

Contai, ó Musas, a glória e a memória de Patativa do Assaré!

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