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O Brasil sentirá saudade, Tremendão!



“É tão importante entender o conceito, quanto ouvir a música… Existem várias formas de amor, e eu preciso de todas. Obrigado a todos que contribuíram para mais essa vitória, esse Grammy é o reconhecimento do nosso trabalho. O Futuro Pertence à Jovem Guarda!”

Essa mensagem de comemoração é a última postagem no Instagram de Erasmo Carlos dias antes de seu falecimento por problemas pulmonares. De certo modo, ela sintetiza perfeitamente tudo aquilo que o Tremendão, como era carinhosamente chamado pelo público, buscou construir em sua carreira artística.


Cantor, compositor, ator e multi-instrumentista, Erasmo nasceu em 1941 no Rio de Janeiro e aos 16 anos já integrava a banda Sputinks- posteriormente chamada The Snakes, formada por Tim Maia, Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e Roberto Carlos. Depois de inúmeros desentendimentos, a banda foi desfeita, mas Erasmo e Roberto passaram a formar uma das mais icônicas duplas artísticas da música popular brasileira. A primeira parceria dos Carlos foi um compacto simples chamado “Terror dos Namorados”: “É por isso que me chamam terror dos namorados/O homem que possui aquele beijo tão falado/ Eu quero tomar jeito, e deixar de beijar,/Mas eu não consigo mais parar..”. Ainda no espírito da “Jovem Guarda”- nome de um programa musical que Erasmo, Roberto e Wanderléa apresentaram, a dupla gravou “Festa de Arromba” e outros sucessos de longo alcance que refletiam o espírito típico da juventude transviada.


A aproximação da década de 1970, entretanto, trouxe aos compositores uma nova fase muito mais existencialista e introspectiva. O melhor exemplo desse amadurecimento é a canção “Sentado à beira do Caminho”: Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste/Onde a tristeza e a saudade de você ainda existe/ Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança/ De ao menos ver de perto seu olhar que eu trago na lembrança/ Preciso acabar logo com isso/ Preciso lembrar que eu existo, que eu existo, que eu existo..”. Embora parceiros, Erasmo e Roberto Carlos não eram iguais: “Graças a Deus somos bem diferentes. Sou carioca, ele é capixaba. A única coisa que temos em comum é que ele é vascaíno e eu também. Mas o restante, é bom que seja diferente senão ficaria tudo igual. Eu cantava as mesmas coisas dele, ele cantava as mesmas coisas minhas, ficaria chato, cada um deve ser de um jeito”, disse Erasmo em entrevista.


Com os álbuns O Tremendão, de 1967, e Erasmo, de 1968, Erasmo Carlos parecia já estar consciente de que era preciso explorar novas sonoridades e aproveitar as sensações originais que o Brasil tinha a oferecer. O auge dessa fase madura é Carlos, Erasmo, 1971, que se tornou um disco cult para a geração nascida na década de 1990. Carlos, Eramos antecipa timbres, intenções e dinâmicas da cena alternativa de seu tempo, mas mesmo depois de 51 anos de seu lançamento ainda soa como um trabalho recém-gravado.


Mantendo até o final de sua vida o visual rebelde das décadas de 1960 e 1970, Erasmo sempre foi um personagem muito querido do público e uma figura eterna na história da música brasileira.

O Brasil sentirá saudades, Tremendão!

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