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Sobre a raça da elite brasileira


Nem sempre a elite brasileira se pretendeu ortodoxamente branca e européia, e muito menos os seus prepostos de ocasião se dispunham a bater continência para a bandeira ianque.


Quando, nos meados do século XVIII, os primeiros movimentos nativistas começaram a aflorar em nossa terra, as suas lideranças - quase todas oriundas da elite colonial - passaram a reivindicar uma identidade brasileira e mestiça, em um esforço para se diferenciarem dos portugueses europeus e brancos, embora estes nunca fossem considerados plenamente "arianos" pelos nórdicos.


A construção de um imaginário nativista brasileiro foi viabilizada pela narrativa genealógica constante dos escritos setecentistas de Borges da Fonseca, em Pernambuco; de Pedro Taques, em São Paulo; e também de Frei Antônio Jaboatão, na Bahia. Todos os três se esmeraram em demonstrar que as principais famílias de suas capitanias natais possuíam sangue mestiço de origem indígena, o que a elas conferia maior antiguidade no Brasil e, portanto, mais direito à terra que os portugueses meramente europeus.


De acordo com Borges da Fonseca, a aristocracia pernambucana descenderia em linha reta dos filhos de Jerônimo de Albuquerque com a índia Maria Arcoverde. Intromissões de sangue negro, às vezes sugeridas, resultaram em gente de tom de pele bastante escuro, como Afonso de Albuquerque Mello, por alcunha Curumim, segundo o genealogista.


Na Bahia de Frei Jaboatão o processo se repetiu através dos filhos de Diogo Álvares (o Caramuru) com a índia Paraguaçu, e em São Paulo o citado Pedro Taques remontou a nata da elite paulista à união entre o português João Ramalho com a índia Bartira. Um dos descendentes desse coito danado foi o escritor Eduardo da Silva Prado que, sendo de um moreno mais carregado, teve recusado o seu ingresso em hotel nos Estados Unidos logo após a Proclamação da República, um dos motivos pelo qual se conservou monarquista e exprimiu a sua verve anti-ianque no seu livro "A Ilusão Americana".


Pensemos nisso.


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