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Getúlio Vargas e o verdadeiro conservadorismo

Os conservadores brasileiros têm de se desvincular do falso conservadorismo texano e olhar mais para as próprias origens


Um dos elementos básicos do conservadorismo é o conceito de uma Ordem natural/espiritual que se reflete em todos os âmbitos da vida e com a qual a sociedade deve estar vinculada. É a percepção de um Cosmos organizado, hierárquico, mergulhado em sacralidade. A defesa de certos princípios morais se dá a partir desta linha de raciocínio, não do apego automatizado a costumes tais e quais - que têm lá sua importância, mas não deveriam ser erigidos em critério final para nada. Do mesmo modo, a defesa das instituições tradicionais advém de sua potência para sustentar, na sociedade e no Estado, alguns destes elementos ordenadores da Natureza.


O reacionarismo é estéril e incapaz de propor qualquer positividade. É um parasita, que vai se amarrando a saudosismos indefensáveis, e que tende a um filistinismo

Infelizmente, esses conceitos fundantes do verdadeiro conservadorismo são varridos para debaixo do tapete em nome de um conformismo e pragmatismo sem o menor sentido. E, assim, o conservadorismo se torna um vazio de ideias e se limita ao papel de obstaculizar o máximo possível alguns avanços do progressismo.


Boa parte do que se chama de “conservadorismo” nos EUA e no Brasil atual não passa de um liberalismo desregulado e acompanhado dos automatismos moralistas mais baixos

Ou seja, o conservadorismo, neste caso, se torna não uma ideologia ativa e capaz de gerar frutos, mas um mero reacionarismo. E o reacionarismo é estéril e incapaz de propor qualquer positividade. É um parasita, que vai se amarrando a saudosismos indefensáveis, e que tende a um filistinismo algo grotesco, ainda que disfarçado das mais belas aspirações e compromissos. Boa parte do que se chama de “conservadorismo” nos EUA e no Brasil atual não passa de um liberalismo desregulado e acompanhado dos automatismos moralistas mais baixos.


Quando se olha, por exemplo, para as raízes de movimentos conservadores europeus, como o alemão e o ibérico, o cenário é muito diferente. Bismarck tinha propostas que não se conciliavam em quase nada com o liberalismo: era monarquista e industrialista, estatista e intervencionista, paternalista e imbuído de fortes ímpetos trabalhistas.


Os conservadores brasileiros têm de se desvincular do falso conservadorismo texano e olhar mais para as próprias origens

Essas mesmas tendências anticapitalistas, estatistas, personalistas, contrárias à desregulação dos mercados, e de apoio a leis trabalhistas e a uma ordem social justa e distributivista, se encontram também no forte tronco do conservadorismo português e espanhol, que também se conecta à nossa História. Os conservadores brasileiros têm de se desvincular do falso conservadorismo texano e olhar mais para as próprias origens. É lá que irão encontrar os princípios da nossa política externa, do nosso desenvolvimento econômico, do desenvolvimento do nosso Estado e do nosso nacionalismo específico - e as mais belas produções e teorias proporcionadas pelo espírito brasileiro (que poderão inspirar um nacionalismo do século XXI). É lá também que vão encontrar esse estadista cada vez mais incompreensível para a esquerda brasileira: Getúlio Vargas.

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