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O estilo brasileiro na literatura acadêmica - ou a falta dele

Lendo a tese doutoral de Antonio Candido, "Os parceiros do Rio Bonito", é impossível não farejar o miasma que envenena toda a sociologia uspiana: a tentativa de substituir o estilo "impressionista e ensaísta" das análises culturais brasileiras por um suposto rigor importado, acriticamente, das fileiras antropológicas francesas. Não há nenhum sabor, nenhuma textura de intimidade. Quando comparado, por exemplo, com o estilo de Freyre, Candido parece ditar uma bula de remédio. Mas isso não foi uma invenção dele.



Gilberto Freyre, mestre do estilo


Reza a lenda que FHC, vaca sagrada e pai de todos os bolsistas da USP, pisou na Sorbonne e gritou "Vive la France!". Quando presidente, o mesmo FHC pontificou: "A mim sempre me impressionou muito Cambridge. Comparada a outras universidades que conheço, até aqui, é modesta. Mas vai ver o que sai dos laboratórios de lá. Vai ver o que sai dos livros que lá se escrevem".


A sociologia das luzes com pretensões de "ciência rigorosa", projeto nunca completado, reforça meu antigo adágio: iluminista em país colonizado é uma desgraça.

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