CHARLIE KIRK, AS DISPUTAS POLÍTICAS, E O CASO BRASILEIRO
- André Luiz V.B.T. dos Reis

- 12 de set.
- 3 min de leitura
Não falei nada ontem sobre o assassinato de Charlie Kirk. Há outros temas que afetam de modo mais direto a vida brasileira. A nossa política já está americanizada demais pra que a gente alimente o monstrengo. A verdade, no entanto, é que o ambiente político ianque, já muito polarizado, tende a esgarçar ainda mais .
Diferente do mito dos "EUA, uma civilização protestante, um país exemplar etc.", trata-se de uma nação com tradição de violência e assassinatos políticos, população armada, e repleta de gente neurótica. Não acho que uma pacificação esteja no horizonte nos próximos anos, até porque a radicalização é incentivada pelos que estão na disputa partidária mainstream.
Enfim, é inevitável que o humor ianque acabe se refletindo no Brasil dado o mimetismo que o nosso discurso público criou em relação ao Big Brother. Então, vamos trazer o problema para nossa realidade.
É verdade que a esquerda pós-moderna visa criminalizar e desumanizar seus concorrentes no campo político. Ela vai moldando as instituições, o arcabouço jurídico, forçando a mudança da linguagem, e a adoção de parâmetros progressistas em todo lugar.

Não é exatamente uma "guerra cultural" porque essa esquerda não busca o convencimento. Ela persegue a hegemonia de espaços de poder (como universidades e imprensa), a modificação radical do aparato legal, e a criação de estratégias de constrangimento e coação (extra-jurídica), como o ''cancelamento".
Também cria rótulos e chavões para legitimar uma caça às bruxas contra todos aqueles que considera adversários. Quem discorda é nazista, racista, machista tóxico, xenófobo, homofóbico, intolerante religioso, ou qualquer outro jargão que transforme o interlocutor em adepto de algum crime de ódio — no caso, Kirk era de fato racista; mas se não fosse, seria rotulado dessa maneira de modo similar. E, mais uma vez, estou trazendo a questão para o nosso contexto.]
Toda a estratégia ''woke'' (prefiro chamar de esquerda identitária, ou pós-moderna) se fundamenta nisso: tentativa de banir do espaço público ou socialmente legítimo todos os lados que não sejam o seu próprio.
O objetivo deles já foi alcançado em alguns espaços muito importantes. Não existe nenhum Kirk levando tiro em universidade brasileira simplesmente porque nenhum Kirk tem permissão para debater a sério em alguma delas.
Um exemplo: neste exato momento, o governo de Quebec, no Canadá, está propondo uma lei que proíbe orações em espaços públicos. Existe naquele país um troço chamado "Ministério do Secularismo", que entende que o aumento de orações nas ruas é um dos graves problemas do país.
Parece uma distopia. E é uma distopia. Criada aos poucos pela esquerda pós-pós [pós-moderna]. Que não vai criminalizar só o cristianismo, mas tudo que seja ''extremista'' o suficiente para discordar dela.
Se os demais campos políticos não derem início a uma reação calculada, consistente e tenaz, revertendo a tendência atual, retomando espaços, ainda que lentamente, então vai ter de se contentar em dizer 'Amém' pra 'Janjas' e outras abominações políticas.
A esquerda 'pós-moderna' — pós-pós — não está preocupada em mudar a macroeconomia ou derrubar o capitalismo, razão pela qual ela é aliada de muitos conglomerados econômicos dos quais outros campos políticos mal conseguem se aproximar. Não está interessada em alterar drasticamente a hierarquia de classes tampouco. Ela quer forjar um 'novo homem', uma 'nova mentalidade', uma 'nova cosmovisão' fortemente individualista, anti-essencialista, e anti-tradicional. E sua estratégia passa ao largo do 'debate convencional', como Kirk buscava fazer em universidades e redes sociais. O que vale é a intimidação social, a criminalização do discurso alheio, a hegemonia em lugares de decisão na vida da sociedade.




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