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Briganti: série Italiana aborda aspectos revolucionários da tradição e religiosidade populares


A série "Briganti: Em Busca do Ouro" disponível na plataforma Netflix, mergulha no mundo do brigantismo no sul da Itália durante o turbulento período pós-unificação do país, encenando uma espécie de Bang Bang à italiana.



O drama histórico explora as vidas de personagens que se tornaram bandidos não apenas por necessidade, mas também como forma de resistência política.



A busca por um suposto tesouro siciliano, apropriado pelas tropas de Garibaldi durante suas campanhas para unificar a Itália, serve como pano de fundo.

O fenômeno do brigantismo foi percebido pela população local principalmente como uma resistência ao controle e à ocupação pelos piemonteses, que foi visto como uma imposição do norte após a unificação italiana.

Em ‘Briganti’, as forças do ‘progresso’, representadas pelos piemonteses, remetem, em verdade, à opressão, ao passo que a tradição, a religião e a relação com a terra representam os aspectos de resistência.

O brigantismo, especialmente ativo no Sul da Itália em fins do século XIX, foi muitas vezes entendido como uma resposta direta à marginalização econômica e social dessas regiões durante a formação do Estado italiano. Brigantes como Carmine Crocco emergiram como figuras emblemáticas, liderando grupos que praticavam tanto atos de banditismo quanto de resistência armada. Esses grupos utilizavam o terreno montanhoso a seu favor e se engajavam em guerrilha contra as forças do governo, refletindo um profundo senso de injustiça e desejo de autonomia.



Paralelos podem ser traçados entre o brigantismo e fenômenos similares no Brasil, como o cangaço. Ambos compartilham elementos de regionalidade forte, uma conexão profunda com a terra e uma certa sacralidade em suas práticas e códigos de honra - movimentos que não foram apenas expressões de resistência social ou criminal, mas que refletiram tensões culturais e políticas de suas respectivas épocas, moldando significativamente a história regional de seus países.


"Briganti" foi coescrita e codirigida por Antonio Le Fosse e é uma produção que traz para a própria Itália o formato do Western Spaghetti. Este gênero é conhecido por seus temas de fronteira e personagens moralmente ambíguos. Na série, o personagem principal, Giuseppe Schiavone (Marlon Joubert), compartilha várias características com os icônicos papéis de Clint Eastwood, como o Homem Sem Nome (de "Três Homens em Conflito") e Joe (de "Por um Punhado de Dólares"), caracterizados por sua destreza com armas e uma certa aura de mistério.



A série vale a pena ser assistida tanto pelo seu apelo estético, que revive o melhor do Western Spaghetti, quanto pelo seu pano de fundo histórico que ilumina um episódio pouco explorado das guerras pós-unificação italiana e as complexidades enfrentadas pelas regiões do sul da Itália, como Sicília e Calábria: narrativas históricas importantes para entender a migração italiana para o Brasil, para onde muitos imigrantes dessas áreas trouxeram consigo não apenas suas tradições, mas também as memórias dos conflitos e desafios que moldaram suas vidas na Itália.

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