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Por que odeiam os pardos: a política da raça contra o Brasil


Vi recentemente um vídeo de uma jovem chamada Beatriz Bueno, que ousou erguer uma bandeira de representação e valorização da "parditude" dentro da universidade. Ela relatou a perseguição sistemática que passou a sofrer de alunos, professores e — o cúmulo do absurdo — até orientadores. Um ambiente tão doentio, tão carregado de hostilidade ideológica, que a obrigou a recorrer a medicação (amitriptilina) para suportar o clima de terror psicológico instaurado no espaço universitário brasileiro, que é puro lixo identitário.


Esse caso é exemplar — e revelador. Expõe, de maneira cristalina, o racismo profundo e silencioso que há na esquerda brasileira. E não estou falando de racismo contra brancos ou racismo reverso, nem nada disso; refiro-me, claro, ao racismo contra os pardos, a ampla maioria do povo brasileiro, apagados da narrativa hegemônica progressista. Na linguagem deles próprios: o pardo é invisibilizado, dissolvido, desumanizado. A elite acadêmica — branca, urbana, progressista — nega a própria existência do pardo como sujeito histórico. Para eles, o pardo não passa de um dado estatístico manipulável.


O resultado é um truque ideológico vergonhoso:


Quando a estatística envolve criminalidade, o pardo vira negro, para engrossar artificialmente o discurso vitimário.


Quando o tema é cotas e privilégios sociais, o pardo passa a ser branco, supostamente opressor e “beneficiado” por uma branquitude imaginária.


É o Pardo de Schrödinger: simultaneamente negro e branco, aceito ou excluído, dependendo exclusivamente da conveniência política da vez.


Mas há algo ainda mais perverso: a proibição explícita da celebração da ancestralidade parda. A construção histórica do povo brasileiro é criminalizada. O mestiço luso-tupi — a base real, concreta e majoritária do Brasil — é tratado como produto de violência, fruto do estupro colonial, um ser cuja herança cultural deve ser renegada, uma genealogia que precisa ser destruída. Apagar a raiz lusitana e o caráter mestiço — esse é o verdadeiro projeto.


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A esquerda brasileira perpetua esse jogo porque ela própria é uma esquerda importada, sem raízes culturais no país que diz defender. Em vez de beber em fontes brasileiras — a miscigenação luso-tupi-afro, a formação católica, o universalismo ibérico —, ela se deixa moldar pelos departamentos de ciências sociais dos EUA, onde nasceu uma nova teologia racial: o identitarismo decolonial. Lá, qualquer matiz racial é interpretado sob o prisma do conflito e da hierarquia entre “opressores” e “oprimidos”, conceito que a esquerda nacional importa em pacotes fechados, como se o Brasil fosse uma cópia tardia do Alabama segregacionista.


A mesma esquerda que denuncia “imperialismo cultural” engole com avidez a pauta racial financiada por fundações estrangeiras, celebrando como santos laicos dois autores que não surgiram da experiência brasileira: W. E. B. Du Bois, com seu binarismo da “dupla consciência” (negro vs. branco), e Edward Said, com sua crítica pós-colonial que transforma toda relação civilizatória em opressão. Essas ideias — válidas dentro de certos contextos — tornam-se absurdas quando transplantadas para um país cuja identidade nasce do encontro e da mistura, não da segregação sistemática.


O resultado? Para que suas teses façam sentido em solo brasileiro, é preciso forçar a realidade: invisibilizar a miscigenação, reclassificar pessoas conforme o interesse político, criar barreiras onde, historicamente, houve passagens, alianças, famílias. Daí o “Pardo de Schrödinger”: a identidade como instrumento de manipulação. Se a narrativa precisa provar que o Brasil é um campo de guerra racial, então o pardo nunca pode ser simplesmente brasileiro; precisa ser ora negro, ora branco — conforme o script importado exigir.


Em vez de compreender a história única do Brasil, essa esquerda tropicaliza o ressentimento estrangeiro, impondo categorias raciais rígidas para encaixar a nação em um modelo que não é nosso. Troca-se a experiência real do povo por um laboratório ideológico influenciado por quem jamais pisou em Pernambuco ou no Recôncavo. É a velha síndrome colonial invertida: em nome da anticolonização, acabam recolonizando nossa identidade — agora com sotaque universitário anglo-saxão.


Querem um país onde o pardo não possa orgulhar-se de si mesmo, da mestiçagem como elemento central de uma verdadeira civilização brasileira, que é lusa, que é indígena, que é africana. Onde sua identidade seja decidida de fora, por burocratas ideologizados, sociólogos de auditório, militantes radicais que jamais pisaram na realidade popular brasileira.


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O Sol da Pátria conversou com a Beatriz Bueno, do Parditude, no canal do Youtube. Assista aqui a live.

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