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Catulo da Paixão Cearense

Nasceu, a 08 de outubro de 1863, no Maranhão, Catulo da Paixão Cearense. Mudara-se para o Rio de Janeiro aos 17 anos, travando contato com músicos de modinhas e de choro em uma república de estudantes, como os flautistas Joaquim Calado e Viriato, Anacleto de Medeiros, o violonista Quincas Laranjeiras, o cantor Cadete e um anônimo estudante de Medicina que o ensinou a tocar violão. Sua primeira modinha, "Ao Luar", é fruto dessas interações musicais.



Em 1908, seu primeiro recital no Instituto Nacional de Música teve grande repercussão, pois levou o violão, instrumento até então estigmatizado, considerado impudico, para um salão de elite -- um interessante tratado sobre o caráter maldito do instrumento pode ser lido na primeira parte do romance "Triste fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto.


O recital entrou na História porque as fortunas e os status não escaparam ao nivelamento do violão. Nas palavras do Catulo, "Músicos, literatos, médicos, jornalistas, advogados, engenheiros, professores, diplomatas, misturaram-se a populares".


O poeta pôs versos em composições de lendas como Joaquim Callado, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Chiquinha Gonzaga e João Pernambuco. E foi com Pernambuco que compôs "Caboca Di Caxangá" e a toada "Luar do Sertão", esta considerada por muitas décadas um segundo hino nacional, uma das mais célebres músicas do Cancioneiro Popular Brasileiro.


Em 1914, é convidado pela primeira-dama D. Nair, esposa de Hermes da Fonseca, a se apresentar no Palácio do Catete, onde foi ovacionado. A façanha rendeu-lhe um cargo público na Imprensa Nacional e há quem considere tal glória como um momento libertador para a música brasileira.


Apesar do reconhecimento, viveu seus últimos anos em condições precárias, falecendo no Rio de Janeiro a 10 de maio de 1946. O "Victor Hugo do Sertão", como se autodenominava o poeta, compositor, cantor, teatrólogo e professor, contribuiu para quebrar as supostas barreiras entre o erudito e o popular, entre o rural e o urbano, abrindo caminho para tantos outros artistas e expressões genuinamente populares da nossa música.


PÃO, TERRA E TRADIÇÃO!

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