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10 de junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é festejado em 10 de junho, data da morte, ou melhor, do encantamento, como diria Câmara Cascudo, do escritor Luís de Camões. Este dia é consagrado a homenagens a Portugal, aos portugueses, à cultura e língua lusófonas e à presença lusitana por todo o mundo.



Começando como um feriado municipal em Lisboa, o 10 de junho foi elevado pelo Estado Novo português a feriado nacional, o “Dia de Camões, de Portugal e da Raça”. Com a Revolução de abril de 1974, também conhecida como Revolução dos Cravos, este dia passou a ser denominado como “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. A despeito do caráter esquerdista da insurreição de 25 de abril, a celebração não foi revogada, ao contrário do que boa parte, quiçá a maioria, dos esquerdistas iconoclastas defende por meio da cultura de cancelamento.


A homenagem a Camões deve-se ao fato de que o ideário de um passado heroico e mitológico português foi validado na literatura em Os Lusíadas. Além disso, o clarividente caolho, poeta num sentido vático (vate significa poeta e profeta, “aquele que diz”), ofertou ao seu povo um livro que canta a lusitanidade por seu protagonismo, perícia e bravura nas navegações.


Em oposição aos canceladores e à sanha antilusitana de certa esquerda, a Frente Sol da Pátria defende que se estreite ainda mais os laços culturais e diplomáticos com a Pátria-irmã. Em consonância com Darcy Ribeiro, acreditamos que, “No Brasil, de índios e negros, a obra colonial de Portugal foi também radical. Seu produto verdadeiro não foram os ouros afanosamente buscados e achados, nem as mercadorias produzidas e exportadas. Nem mesmo o que tantas riquezas permitiram erguer no Velho Mundo. Seu produto real foi um povo-nação, aqui plasmado principalmente pela mestiçagem, que se multiplica prodigiosamente como uma morena humanidade em flor, à espera do seu destino. Claro destino, singelo, de simplesmente ser, entre os povos, e de existir para si mesmos”.


10 de junho é uma data a ser celebrada tanto no além-mar como em nossos sertões. No destino que nos espera – pelo qual não esperamos passivamente, logo chegará o dia em que vamos segurar o topete de Kairós, o momento supremo – não há espaço para revanchismo e ressentimento. Aliás, não por acaso (não acreditamos em acaso, pois somos místicos, religiosos, até mesmo supersticiosos), nosso João Gilberto nasceu nesta data extremamente simbólica para nossas nações.

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