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Genocídios passados não podem justificar massacres no presente

Há quem desqualifique o trabalho de Norman Finkelstein em 'Indústria do Holocausto', ainda que esteja suficientemente documentado para, retirado alguns exageros polemistas do autor, revelar o peso do tema na política imperialista norte-americana e israelense, bem como no enriquecimento de certas organizações e movimentos judaicos.



Mas já passou da hora de dizer com todas as letras que, a despeito do horror do Holocausto, os judeus não foram a única comunidade ou etnia vitimada pelos nazistas ou por políticas homicidas no século passado, como testemunham muito bem ciganos, armênios e eslavos em geral. Também passou da hora de contestar o vitimismo sem fim mobilizado por sionistas:


Os judeus costumam ser comunidades prósperas nos países da Europa Ocidental e nos EUA. O próprio Finkelstein cita dados apontando que, nos EUA, a renda dos judeus é o dobro da renda média da população. No Brasil, a situação é semelhante e o mesmo se dá em vários outros países.


Ou seja, trata-se de grupo de alta classe média, muito bem posicionado socialmente, com uma elite que marca presença nas listas de milionários e bilionários, e é assim também em outras metrópoles do Norte Geopolítico e em suas franjas civilizacionais. Trata-se de uma constatação, não algum tipo de ''conspiracionismo antissemita''. É pura insanidade imaginar que as comunidades judaicas na Europa e nos EUA se encontram sob risco sério e generalizado de pogroms, cerceada em seus direitos, acuada por más condições econômicas e vetos ao exercício de atividades profissionais e burocráticas, como na Rússia czarista do século XIX. Esta não é mais a realidade dos judeus no Ocidente nos últimos 70 anos. Não estamos falando de grupos ou comunidades vulneráveis em nenhum sentido legítimo da expressão.


Distorcer esta realidade para justificar uma política expansionista de potências ocidentais, preconceito contra imigrantes muçulmanos, e para acobertar os crimes israelenses contra cristãos e muçulmanos na Palestina, Síria e Líbano não passa de imensa canalhice. Uma canalhice que encontra repercussão imensa no sistema político-partidário e na grande mídia.


A imprensa pró-sionista busca criar uma narrativa de vitimização internacional dos judeus para não ter de falar dos crimes de Israel no Oriente Médio. Não se vê neenhum escândalo na mídia brasileira com o caso do hospital Al Shifa, as revelações dos assassinatos na rave realizados por helicópteros israelenses, o bombardeio do complexo da Igreja de São Porfírio etc etc.


As discriminações e genocídios passados não devem ser esquecidos. Mas sua justa lembrança não deve ser instrumentalizada para a defesa de privilégios sem sentido [o veto a críticas contra o sionismo, por exemplo] ou para perpetrar novas discriminações e genocídios.


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