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O patriotismo brasileiro não precisa de propaganda russa nem duginismo - uma resposta do Sol da Pátria ao "International Policy Digest"


Um artigo chamado “Examining Russian Ideologue Aleksandr Dugin’s Influence in Brazil” [“Examinando a influência do ideólogo Alexandr Dugin no Brasil”], de Bernardo Almeida, foi publicado no International Policy Digest (e-mail do editor: john.lyman@intpolicydigest.org) em 31 de maio de 2024. Nesse artigo, é afirmado o seguinte: “Toda conversa sobre Dugin precisa incluir um exames das suas ligações com indivíduos e organizações de extrema-direita. Isso inclui a (...) Frente Sol da Pátria, grupos pró-russos conhecidos por sua linha de militância radical”. 


Vá lá, a definição de “extrema-direita” é hoje cada vez mais elástica e até subjetiva, a ponto de ter se esvaziado de qualquer significado. A associação com o duginismo, contudo, requer uma resposta.


Se alguém pesquisar o nome “Dugin” no site do Sol da Pátria, encontrará, de facto, um bocado de artigos sobre esse analista russo. Todos eles são artigos críticos a ele e suas ideias - e pode-se facilmente constatar isso apenas lendo-se os títulos dos artigos (com uma pequena ajuda do Google Tradutor, no caso dos analistas estrangeiros - embora tais traduções não sejam 100% exatas) . Eis alguns dos artigos:





O Sol da Pátria é muito veemente na defesa da tradição brasileira que vê, na miscigenação, um valor positivo e na defesa do papel do Sul Global - tudo isso (discursos de “multipolaridade” à parte) vai contra as doutrinas geopolíticas e étnicas de Dugin.



Portanto, só de se passar o olho, de forma muito superficial, nas publicações do Sol da Pátria, pode-se detectar uma postura bastante crítica em relação a Dugin. Parece, no entanto, que apenas mencioná-lo, mesmo que criticando-o, pode ser usado como prova de duginismo.


Embora também critique a propaganda da OTAN e a Ucrânia pós-Maidan, o Sol da Pátria não é de forma alguma simplesmente “pró-russo” (vide a imagem abaixo, por exemplo).



O foco principal do Sol da Pátria é a cultura brasileira e questões brasileiras. Trata-se de um grupo pequeno, mas não marginal. Tem mantido conversas, em lives com intelectuais e figuras políticas mainstream de todo o espectro político e tem publicado também livros em coautoria com doutores e acadêmicos.



Lançamento do livro "Compreender Gilberto Freyre" na Fundação Gilberto Freyre


Assim, não é justo nem correto descrever o Sol da Pátria como um movimento de “extrema direita” inserido nas redes de Dugin (??). É, isso sim, um grupo culturalmente conservador que adere a certas linhas do trabalhismo brasileiro e que tem também publicado uma série de artigos bem embasados contra as ideias de Dugin sobre etnia, geopolítica e uma série de temas. Infelizmente, alguns analistas preferem escrever, seja em português ou em inglês, sobre aquilo que não conhecem.


Se você também não concorda com a forma como o International Policy Digest descreveu o Sol da Pátria, envie sua mensagem para o editor: john.lyman@intpolicydigest.org




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